
Quem passa pela Beira-Mar Norte em Florianópolis vai perceber, nos próximos meses, uma paisagem em transformação. Máquinas, caminhões carregados de pedra e uma cortina de contenção no mar marcam o início de uma obra que promete redesenhar a orla mais famosa da capital catarinense: o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte.
O projeto, orçado em R$ 350 milhões, é inteiramente bancado por capital privado e deve gerar por volta de 2 mil postos de trabalho só na fase inicial.
A expectativa da Prefeitura é entregar à cidade um novo espaço de convivência, lazer e turismo náutico — sem abrir mão do uso público que já faz da região um símbolo de Floripa.
O que já está acontecendo
Os trabalhos começaram com a montagem de uma barreira de contenção sobre o espelho d’água, pensada para reter resíduos e espuma gerados durante a fase seguinte: o enrocamento. Essa etapa consiste em jogar rocha no mar — cerca de 300 m³ por dia — para criar a base sólida sobre a qual todo o parque será erguido.
Essa movimentação de caminhões vai usar como rota de acesso o Continente, com retorno pelo Direto do Campo, próximo ao Koxixos. É natural que, nas primeiras semanas, o bolsão de estacionamento da região fique parcialmente fechado para dar espaço às manobras dos veículos.
Vai afetar quem caminha, pedala e frequenta a orla?
Esse é provavelmente o ponto que mais preocupa quem usa a Beira-Mar Norte no dia a dia. Segundo a Prefeitura, o desenho da obra foi pensado justamente para não travar a rotina da cidade:
- a calçada de pedestres deve seguir liberada;
- a ciclovia mantém a circulação normal;
- a feirinha de artesanato dos fins de semana continua, apenas alguns metros deslocada;
- interrupções pontuais na via, quando caminhões entram ou saem, não devem passar de três minutos.
Ou seja: a ideia é que o canteiro de obras conviva com o movimento da cidade, e não o contrário.

Quanto tempo vai durar
Não é um projeto rápido — e a Prefeitura já deixa isso claro:
- 6 a 7 meses só para o enrocamento;
- 2 anos e meio até a entrega do parque público;
- mais 1 ano e meio até a marina ficar pronta;
- 5 anos, ao todo, para o projeto completo.
Quem está pagando a conta
Apesar de ser um espaço público, o dinheiro é todo privado. A construtora JL Construções, de Cascavel (PR), venceu a licitação e vai bancar os R$ 350 milhões do investimento. Em troca, terá o direito de explorar comercialmente a área por 35 anos, através de um contrato de cessão de uso.
O tamanho da transformação, em números
| Item | Área |
|---|---|
| Áreas verdes | 48.146,06 m² |
| Espaços de lazer | 25.468,40 m² |
| Circulação livre | 19.433,85 m² |
| Construções | 14.646,59 m² |
Na prática, a proposta quase triplica a área pública da orla e tira o protagonismo dos carros na região — os atuais bolsões de estacionamento vão virar áreas de convivência.
Para compensar, entra em cena um estacionamento subterrâneo com 550 vagas para carros, motos e bikes.
Três trechos, três vocações diferentes
O parque foi dividido em três setores, cada um com uma função específica:
Trecho 1 — perto do trapiche atual
Concentra o transporte marítimo, com rampa náutica, além de arquibancadas de frente para o mar, playground, pet place, academia e um prédio de gastronomia e serviços.
Trecho 2 — entre o trapiche e o bolsão da Casan
É o setor mais esportivo: skate park, quadras recreativas, oito quadras de areia, academias ao ar livre, dois playgrounds e uma praça molhada com chafarizes.
Trecho 3 — trecho final
Reúne gastronomia, comércio, playground, pet place e o acesso à parte flutuante da marina — inclusive com espaço reservado à pesca artesanal.
Em comum, os três trechos terão banheiros públicos, fachadas vazadas e paisagismo com espécies baixas, priorizando sustentabilidade. E sim: a feira de artesanato, tradição do local, permanece.
A marina: o novo point náutico de Floripa
Com 300 mil m², a Marina Beira-Mar vai abrigar até 600 embarcações de até 110 pés, divididas em 10 cais (fingers). Trinta dessas vagas serão públicas, reservadas a pescadores artesanais e instituições — não é um espaço só para lanchas particulares.
Outro detalhe interessante: o píer também pode virar ponto de embarque para transporte coletivo marítimo, e a avenida ao lado da orla já está sendo projetada de olho no futuro sistema de BRT da cidade.

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